sexta-feira, junho 06, 2008

Luciferianismo

Luciferanismo


O Luciferianismo, não possuindo uma divulgação tão grande quanto o Satanismo, ainda é muito desconhecido, e até mesmo mal interpretado pela maioria das pessoas. Enquanto muitos o julgam como sendo uma religião das trevas, na verdade não há título mais injusto do que este para ser-lhe atribuído; isto porque esta filosofia é centrada na procura da Iluminação (Divindade) pessoal através do caminho do conhecimento e da sabedoria. Que religião obscura teria um propósito tão nobre?

O Luciferiano, adotando Lúcifer como seu referencial, almeja alcançar as qualidades que este Ser representa, a saber: sabedoria, conhecimento, orgulho, liberdade, vontade, desafio, independência e iluminação. Ele está sempre procurando por seus limites para poder alcançá-los, e então transcendê-los, sabendo que este é o único caminho para sua evolução. Nossa essência divina não é algo pronto: ela está dentro de nós, mas precisamos desenvolvê-la para que ela possa despertar. Devemos nos lembrar que somos os únicos responsáveis por nossa própria evolução, e por isso outra característica fundamental dos Luciferianos é a capacidade de discernimento. Afinal, embora no Luciferianismo nada seja proibido, sabemos que nem tudo nos convém. Ao realizarmos um ato, devemos estar preparados para suas conseqüências.

Uma questão que surge freqüentemente é o por que da utilização de um nome que nos remete ao cristianismo, ao demônio cristão, já que é defendido por todos os Satanistas, e conseqüentemente Luciferianos, uma independência em relação a este conceito.

Há duas respostas possíveis, e ambas são verdadeiras.

A primeira, e primordial, é que apesar do cristianismo utilizar-se do nome Lúcifer e Satã, como já foi visto anteriormente estes nomes existiam independentes da citada religião, e por isso mesmo referem-se a seres diferentes do demônio cristão.

Lúcifer e Satã têm que obrigatoriamente serem tratados como entidades diferentes para que possamos entender a diferença entre o o Luciferianismo e o Satanismo. Isso porque a diferença principal entre as duas escolas de pensamento está diretamente relacionada à idéia que cada nome possui embutido em si.

A segunda, utilizada por alguns satanistas, é o impacto que este nome causa nos dias atuais. É um jeito de chamar a atenção no meio de tantas informações, para então poder mostrar ao que verdadeiramente ele se refere.

O Luciferianismo é uma ramificação do Satanismo, e sua principal diferença para este é justamente o enfoque na procura pela sabedoria, ao invés da oposição. Isso pode ser facilmente percebido na análise dos nomes Lúcifer e Satã. Lúcifer vem do latim Lux, Lucis = luz Ferre= portador, ou seja, o Portador da Luz, enquanto Satan, de uma corrupção do nome do deus egípcio Set (Set-hen), em hebraico significa Adversário. O Luciferianismo é exatamente um aprimoramento do Satanismo, já que este é limitado em sua visão da evolução humana como necessária ao alcance desta divindade.

Mas como Lúcifer é aceito na filosofia Luciferiana? Há mais de uma visão, sendo este aspecto o utilizado para classificar o Luciferianismo nas seguintes denominações:

Luciferianismo Tradicional: É o aspecto Deísta da filosofia. Os Luciferianos Tradicionais são aqueles que acreditam em Lúcifer como um Ser, geralmente este identificado como sendo o próprio Cosmos, ou seja, um Ser que está em tudo e que sendo pleno, de nada necessita. É o "Deus dos inumeráveis números, que cria os próprios membros, que são os deuses". A busca predominante do Luciferianismo está no progresso do espírito humano, sendo que na denominação Tradicional, o final desta jornada resultará no alcance da unidade indivisível de homem e Deus, condição anterior e eterna. A filosofia de Plotino pode ser bem colocada aqui, já que segundo ela o mundo emana de Deus (Lúcifer) através de graus e a Ele se eleva e retorna. Ao contrário do que se poderia pensar, então, não há um culto a Lúcifer como a maioria das religiões cultua seus respectivos deuses. Lúcifer antes de tudo é cultuado no próprio adorador, pois ele acredita que sendo uma emanação de Lúcifer, se torna UM com Ele. Como no Satanismo, há diversas visões dentro desta própria visão, embora os dogmas que identificam a filosofia não possam ser quebrados. Afinal, sendo quebrados, se tornam outra religião.

Luciferianismo Moderno: É o aspecto Anti-Deísta da filosofia. Para os Luciferianos modernos, Lúcifer é aceito como um arquétipo. Não há uma crença em um Deus primal, sendo o homem visto como seu próprio e único deus. Esta visão Luciferiana é claramente influenciada pelo Satanismo Moderno iniciado por Anton LaVey, com a publicação da Bíblia Satânica. É uma procura pelo verdadeiro "self" sem se utilizar a idéia de alguma divindade por detrás dele, se tornando muitas vezes até mesmo extremamente humanista. A procura pela sabedoria neste caso também é com o intuito de se tornar um Deus, significando se tornar Senhor de sua Vontade através do conhecimento de si mesmo, porém sua eternidade não está em uma suposta outra dimensão, e sim na imortalidade de suas obras.

Luciferianismo Eclético: É a denominação mais subjetiva do Luciferianismo. Aqui se encontram aqueles que seguem os princípios Luciferianos porém os mesclam com outras culturas, podendo estas tanto ser pagãs ou não. Não há como descrevê-la justamente por ser muito ampla e apenas partilhar o dogma básico do Luciferianismo.

O Satanismo Gótico, criação da Igreja Católica Apostólica Romana, não é considerado como uma denominação Luciferiana, mas apenas um termo para identificar uma visão comum em nossa sociedade: a imagem do Luciferianismo como sendo uma religião de culto ao demônio, sacrifícios, missa negras e orgias realizadas em honra à Lúcifer. Alguma semelhança com os filmes de terror? Há muito mais semelhanças do que a aparente. O Luciferianismo Gótico na realidade nunca existiu como uma organização, embora esta idéia surgida na Idade Média para a condenação "justa" de "hereges" ainda exista e seja a causa da discriminação da sociedade com o assunto. Muitos não conseguem distinguir a ficção de um filme de um fato da realidade, pura ignorância originada da falta de informação que está tão presente em nossa sociedade. Dois textos devem ser consultados por aqueles que querem se aprofundar mais no Satanismo Gótico: o “ Malleus Maleficarum”, escrito em 1486 por dois sacerdotes dominicanos, Kramer e Sprenger, e “Compendium Maleficarum”, de 1620, da autoria de Guazzo.

Lúcifer jamais é interpretado como sendo o demônio cristão, ou seja, a personificação absoluta do mal. Tanto para os Modernistas como para os Tradicionais, sempre é visto como Aquele que possui em si todos os opostos, ambos se encontrando em equilíbrio. O que são os opostos senão complementos de si mesmos? Por que repudiar um e adorar a outro? Talvez os opostos mais polêmicos sejam o bem e o mal, devido à grande ênfase dada a estas forças por vários sistemas religiosos. O dualismo é a maior prova da ignorância dos sistemas monoteístas, onde há conflito entre a Luz e as Trevas, entre a carne e o espírito, onde o triunfo do deus do Bem só ocorrerá após a eliminação do mal. Esqueçamos o conflito entre estas duas forças, tão amplamente pregado por diversas filosofias. Pensemos ao invés deste conflito em uma harmonia, que traga o equilíbrio ... estas forças existem e podem exercer influência sobre nós apenas até serem confrontadas e conseguirmos transcendê-las. O bem e o mal são dois aspectos de um só ato; estão presentes dentro de cada um de nós e em toda a natureza. As polaridades antes de se chocar, se atraem, acabando por se completar e levar ao equilíbrio, e é aí que está sua importância. O homem não pode evoluir praticando apenas o bem, assim como praticando apenas o mal. Isto porque o bem e o mal são relativos, conceitos que mudam no tempo, em diferentes ocasiões e até mesmo de filosofia para filosofia. Só conseguiremos reconhecê-los ao vivenciá-los. Nunca devemos nos esquecer que todos somos seres únicos nesta esfera causal, assim como nas próximas até atingirmos a esfera do equilíbrio e plenitude, e por isso possuímos experiências, pensamentos, percepções e concepções únicas também. Afinal "todo homem e toda mulher é uma estrela", e todas as estrelas juntas formam apenas um ser maior, o Cosmos, ou o próprio princípio criativo.

O Luciferianismo não é uma religião fácil de ser seguida, ao contrário do que muitos julgam. Esta é uma grande ilusão de quem se arrisca a opinar sem ao menos tentar vivenciá-lo, já que o primeiro passo é romper com as idéias e regras impostas durante séculos a nós. É preciso além de muita determinação e força para se livrar destas amarras, se auto-conhecer e ter coragem de tornar-se seu próprio Deus. Não é uma religião para os covardes que se escondem atrás de uma mentira, preferindo sufocar seus ideais e até mesmo sua realização neste plano para obter a "segurança" de uma falsa promessa. Realmente é assustador assumir a responsabilidade da construção de sua própria vida, saber que somos os únicos responsáveis por nossos erros e acertos, por nossa tristeza ou felicidade, por nossa liberdade ou escravidão. Talvez seja este o motivo que leva muitos a nos temerem e muitos a nos respeitarem: o ser humano se acostumou de tal modo a viver na escuridão, que quando presencia uma luz ou a teme ou a admira ao longe, sendo poucos os que se arriscam a serem iluminados por ela.

O Luciferianismo é em geral transmitido oralmente e na maioria das vezes, praticado solitariamente. Poucos são os Luciferianos que o praticam em grupo, devido ao subjetivismo inerente a esta filosofia. Apesar de os princípios serem comuns a todos, o Luciferianismo só adquire realmente valor quando o praticante deposita nele as verdades que pôde contemplar dentro de si, sendo primordial descartar qualquer ponto que seja discordante com elas. Não é uma religião que se preocupa em ser aceita pela maioria; ao contrário, prefere se ocultar desta para que não ocorra nenhuma distorção de sua essência. Damos mais valor a um pequeno grupo de praticantes do que um grande número de "seguidores". Em nossa crença não há lugar para seguidores, e sim para mestres, já que o único mestre de cada um é si mesmo. Baseando-se neste pensamento é que toda ordem Luciferiana se propõe apenas a mostrar ao iniciado o início do caminho... conhecê-lo realmente e percorrê-lo, vai depender unicamente da determinação de quem é corajoso o suficiente para conhecer a si mesmo.

Fonte: http://luciferianism.cjb.net

Extraído de O Caldeirão

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